Amanhece, quente. Me traz de volta trinta e seis graus. Já não sinto. O calor me endurece tanto quanto a frio me conserva. Se os passarinhos perguntarem por mim, peça para livrarem meu coração.
Entram pela janela,investigam meu silêncio. Não respondo. Não reflito meus olhos em suas penas. É melhor do que amor. A gente nem sente. Fortalece nossos músculos e nossa mente.Nos leva para longe e nos espalha por toda a cidade,como a chuva. Eu me espalho. Me levam para longe. Me tiram daqui. Se ninguém se importa, tenham pena dos pássaros. Penas e espadas, a cortar meu pescoço e levar meu corpo. Os anjos me carregarão, querida, se você não o fizer.
Novos dias e novas flores. Novos pássaros. Nem percebem minha chegada, de manhã,com o pão. Nem percebem minhas novas cores. E no apagar das luzes meu reflexo nem se nota.Somente nos olhos de uma criança.Faça silêncio…
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- Setembro 24, 2008 / 3:52 am
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- Existêncial
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